Por Dra. Aurélia Costa
A gestação e os eventos a ela relacionados, como puerpério e lactação, são marcados por profundas mudanças que interferem na vida da mulher. As mais reconhecidas são as modificações relacionadas ao corpo, sua fisiologia e metabolismo. Sob o ponto de vista da biomedicina, é inegável que são fases de maior vulnerabilidade e de grandes demandas que requerem prioridade na assistência.
As mudanças fisiológicas, por exemplo, incluem o aumento do volume sanguíneo, da função cardíaca e renal e a redução do movimento gastrointestinal. Para bem se adaptar a essas mudanças no organismo é preciso atenção redobrada com a alimentação, no período que vai da preconcepção à lactação, lembrando que quadros de desnutrição, sobrepeso ou obesidade necessitam de mais cuidados.
As conseqüências da má nutrição durante a gestação podem acompanhar o bebê e a mãe por anos, assim como uma alimentação adequada trará benefícios para a vida toda.
Quando a criança nasce pequena para a sua idade gestacional, ela pode vir a apresentar doenças crônicas como hipertensão, obesidade, distúrbios de aprendizagem, problemas comportamentais e doenças cardiovasculares. A obesidade, o consumo de bebidas alcoólicas, o estresse oxidativo, a deficiência de determinados nutrientes – como as vitaminas B12, D, A, K, o ácido fólico e alguns minerais como o cobre, ferro e o zinco, também são fatores de risco para a gestação.
Por isso e importante o diagnóstico nutricional desde a primeira consulta pré-natal, além de recomendar hábitos alimentares para a mãe. Entre eles:
- Realizar no mínimo cinco refeições ao dia;
- Comer de três em três horas;
- Reduzir líquidos durante as refeições;
- Evitar deitar-se após as refeições;
- Dar preferência ao consumo de cereais integrais;
- Montar um prato colorido;
- Consumir verduras verde-escuras e outros alimentos ricos em ferro e ácido fólico, que são micronutrientes essenciais, principalmente no primeiro trimestre da gravidez, quando o volume sanguíneo da mulher se eleva;
- Consumir mais peixes e frangos e dar preferência às carnes magras;
- Beber pelo menos dois litros de água diariamente;
- Evitar os refrigerantes e os alimentos industrializados.
Os eventuais enjôos, sintomas característicos da fase inicial da gestação, podem ser amenizados com a redução da quantidade de gordura ingerida e pela ingestão de pequenas porções de carboidratos ao longo do dia.
Outro fator importante, que deve ser acompanhado durante a gestação, é o ganho de peso. Logo na primeira consulta, a gestante poderá prever seu peso ao longo da gravidez. Primeiro identificando seu estado nutricional, com o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), ( Esse índice varia de acordo com a semana de gestação)e classificando em baixo peso; adequado; de sobrepeso; ou de obesidade.
Mesmo quando a mãe apresenta baixo peso no começo da gravidez, o total de ganho não deve ultrapassar os 18 kg. Em caso de sobrepeso ou obesidade, o ganho deve ser menor, o que requer um controle alimentar para garantir a segurança da mãe e do bebê, como mostra a tabela.
