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Bicos e Chupetas, você não pode deixar de saber !

Bicos e Chupetas, você não pode deixar de saber !
março 27, 2019

“O bebê chora sem parar. Você oferece a chupeta e, em um passe de mágica, o barulho desaparece. Saiba que este silêncio fácil pode ter um preço alto a longo prazo, como alterações na arcada dentária (mordida cruzada ou aprofundamento do palato) e dificuldades na deglutição, fala e respiração.

Veja estas informações abaixo, e saiba como fazer melhor!

 

Por que a chupeta acalma?
O ato de sugá-la é um mecanismo associado à necessidade de satisfação afetiva e de segurança, que desperta um sentimento no bebê semelhante ao que ocorre quando ele mama no peito da mãe. “O uso de chupetas, também chamado hábito de sucção não nutritiva, é normal e aceitável em bebês e crianças de tenra idade”. Algumas crianças satisfazem suas necessidades de sucção apenas com o aleitamento materno ou levando o dedo e outros objetos à boca. Já outras precisam da chupeta, principalmente em situações de tensão, como quando sentem as famosas cólicas de recém-nascido. Nesses momentos, o objeto funciona como um verdadeiro calmante.

 Sugar a chupeta, então, tem a ver com a chamada fase oral?
Sim, totalmente. “A criança de zero a 2 anos tem uma necessidade inata de sugar. Por isso, a chupeta acalma e transmite prazer – é o que chamamos de fase oral, época em que a criança se apropria do mundo pela boca”, esclarece Márcia Figueiredo, psicóloga e psicopedagoga do Centro Educacional Miraflores, no Rio de Janeiro. A boca é o canal de comunicação da criança com o exterior. Nessa fase, ela literalmente experimenta tudo o que existe. Ela sabe que o seio da mãe é fonte de alimento e afeto. A chupeta é um objeto que imita o bico do seio, por isso também consegue acalmar os pequeninos. “A chupeta funciona como um conforto emocional para aquele bebê que está com toda a energia de desenvolvimento voltada para a região oral. Ela age como um carinho à criança, já que a mãe não pode dar o peito 24 horas por dia”, justifica Lucia Marmulsztejn, psicóloga do setor de psiquiatria infantil da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Meu filho pode usar chupeta?

O uso de chupetas, também chamado hábito de sucção não nutritiva, é aceitável em bebês e crianças de tenra idade. Portanto, este hábito nos primeiros anos de vida não é considerado ruim. Geralmente está associado à necessidade de satisfação afetiva e de segurança, que pode ser atendida com a prática do aleitamento materno. Existem, inclusive, evidências científicas de que crianças amamentadas no peito por pelo menos seis meses estão menos propensas a desenvolverem hábitos de sucção não nutritiva, incluindo-se a sucção de chupetas que é o mais prevalente. No entanto, nos casos em que a amamentação natural não pode ser realizada e mesmo com a oferta do aleitamento materno, as necessidades de sucção da criança não estejam satisfeitas, o uso do bico é recomendado.

 

Até que idade ele pode fazer uso da chupeta?

A Associação Brasileira de Odontopediatria1 e o Ministério da Saúde2 recomendam que a idade de 3 anos seja a época limite para a eliminação do uso de chupeta na vida da criança. Entretanto reconhecem que o ideal seria remover gradualmente este hábito até a idade de 2 anos, pois existe a chance de auto-correção de possíveis desarmonias nas arcadas dentárias, em conseqüência do mesmo.

 

O que o uso prolongado pode causar?

O hábito de sucção de chupeta, quando prolongado além do limite recomendado, pode promover força nos dentes e nas estruturas que os envolvem. A deformidade será maior ou menor dependendo da frequência (quantas vezes e quanto tempo a criança suga por dia), intensidade (força usada para sugar) e duração do hábito (quantos meses ou anos de sucção). Com isso, podem ser observadas alterações de mordida, como por exemplo, a mordida aberta e ou mordida cruzada posterior.

 

Quais as condutas para minimizar a instalação de alterações nas arcadas dentárias?

Na faixa etária considerada aceitável para o uso da chupeta, recomenda-se que ela não seja disponibilizada o tempo todo. Há situações, inclusive, em que vemos a chupeta pendurada no pescocinho da criança, tornando mais fácil seu acesso em qualquer momento, o que está contra-indicado. É importante que os pais e responsáveis fiquem atentos à demanda da criança, sem se antecipar a ela, ou seja, não ofertá-la a menos que a criança solicite, nos momentos de sono ou de tensão emocional, exatamente para atender as necessidades de consolo, aconchego e acalanto. Tão logo esta necessidade seja satisfeita, a chupeta deve ser removida. Se a criança estiver dormindo, retirar de sua boca, se ela não apresentar resistência. Se estiver acordada, passado o choro, distrair a criança e guardar a chupeta, tirando-a do seu campo de visão. A Associação Brasileira de Odontopediatria, em sintonia com o Ministério da Saúde reconhece que uma forma importante de prevenção do uso prolongado da chupeta é o incentivo ao aleitamento materno feito com exclusividade nos seis primeiros meses de vida. Se a criança expressar que este aleitamento não foi suficiente para satisfazer suas necessidades de sucção, a chupeta então deverá ser utilizada racionalmente, não sendo oferecida a qualquer sinal de desconforto, como relatado acima. A chupeta deve ser utilizada como complementar à sucção, na fase em que o bebê necessita deste exercício funcional.

Como eliminar este hábito?

O importante a ser ressaltado é que o uso de medidas não traumáticas para a remoção do hábito de sucção não nutritiva é fundamental, uma vez que envolve questões emocionais. Isto exige a avaliação da melhor maneira e o melhor momento para a remoção do hábito. Para tanto, a Associação Brasileira de Odontopediatria enfatiza a importância de que a consulta ao Odontopediatra se dê o mais cedo possível, ou seja, no primeiro ano de vida. Isto porque, dentre tantas vantagens, favorece o recebimento pelos pais, de orientações para ajudá-los a interromper os hábitos de sucção não nutritiva de seus filhos até no máximo aos 36 meses de idade. Como fazer a higienização das chupetas? As chupetas devem ser higienizadas diariamente. No entanto, a maneira como isso deve ser feito varia segundo o material utilizado para a confecção do acessório. Portanto, os responsáveis devem verificar na embalagem as orientações a serem seguidas para esta higienização. Outro ponto importante é que, de um modo geral, a troca da chupeta deve ser efetuada assim que sejam observados sinais de que o bico da chupeta está danificado.

 

Como escolher o tipo de chupeta?

Ao comprar uma chupeta, é importante que os responsáveis verificarem as orientações nas embalagens, uma vez que existe a especificação do tamanho para cada faixa etária. O formato de chupeta recomendado é o ortodôntico e o material ideal é o silicone, pois o látex favorece maior retenção de bactérias.

De quanto em quanto tempo é preciso trocar a chupeta?
Sempre que o material estiver danificado de alguma maneira, seja gasto, rachado ou rasgado. Para tanto, é importante examinar com freqüência e atenção a chupeta. Na dúvida sobre o bom estado do acessório, opte pela troca: é mais seguro.

 É necessário ferver a chupeta todos os dias?
Ela deve ser higienizada diariamente, de acordo com as orientações do fabricante. Isso porque o acessório pode se tornar um foco de microorganismos que transmitem estomatites e outras doenças. Geralmente, a fervura é o método mais recomendado. Segundo o pediatra Salgado Junior, se a chupeta cair no chão, não adianta apenas passar uma água. Para evitar a proliferação de micróbios, os cuidados com a higiene devem ser rígidos. “A substituição da chupeta deve ser freqüente, e ela deve ser fervida todos os dias”, recomenda o médico.

Dá para usar o prendedor sem medo?

É certo que o cordãozinho preso à roupa do bebê é uma mão na roda para evitar que a chupeta caia toda hora no chão. Mas, apesar de muito prático, o prendedor não é recomendável – por vários motivos. O principal deles é que ele próprio acaba se tornando um foco de fungos e bactérias. Além disso, a chupeta pendurada esbarra o tempo todo em tudo, ficando mais e mais contaminada. E há ainda uma razão mais séria para desistir do prendedor: ele pode eventualmente se enrolar no pescocinho do bebê e causar asfixia. Assim, é melhor ter uma boa reserva de chupetas para trocar quando a que está sendo usada cair no chão.

 

__________________________________________________________________ 1. Serra-Negra JC, Dadalto ECV. Hábitos bucais deletéreis. In: Associação Brasileira de Odontopediatria. Manual de Referências para Procedimentos Clínicos em Odontopediatra, 2009. p. 394-9. www.abodontopediatria.org.br 2. Departamento de Atenção Básica. Secretaria de Atenção Básica. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica n°17, 92p. Brasília. 2006

 

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