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Depressão: é melhor buscar ajuda!

Depressão: é melhor buscar ajuda!
setembro 23, 2019

As dores da alma não saem no jornal, não viram capa de revista… E só quem sente, pode avaliar o estrago que elas causam”.Paulo Roberto Gaefke

Aureliano Ferreira de Souza CRP/ES 16/IS/0255/

Professor de Filosofia e Sociologia, formado em Teologia, pós graduado em Filosofia, Psicólogo atuante desde 2007 e atualmente atende na Clínica Esperienza em Barra de São Francisco-ES

 

Quando o Dr. Cláudio Reis me pediu para abordar alguns temas aqui, pensei em diversas questões que, a partir da experiência como “ex padre”, gestor público da saúde, professor e psicólogo, me chegam todos os dias, no  trabalho e na clínica.

Pessoas com sentimentos de tristeza, vazio, preocupação, aflição, receios infundados, insegurança, medo, ansiedade, baixa autoestima, rejeição, pessimismo, falta de fé (não apenas religiosa, como também nas pessoas e nos tratamentos que estão sendo realizados), irritabilidade, tensão, agitação, vontade de acabar com a própria vida, diminuição da energia e do prazer para realizar atividades diárias, fadiga, isolamento, diminuição do apetite, do sono e desejo sexual, tomei a liberdade de começar falando da doença que neste momento assola, mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, raças, cor e condição social em todo o mundo: a depressão. Ela é a principal causa de incapacidade das pessoas e contribui de forma importante para a carga global de doenças.

De acordo com dados da OMS, a quantidade de casos de depressão cresceu 18% em dez anos. Até 2020, esta será a doença mais incapacitante do planeta, na previsão da Organização Mundial da Saúde.

Assusta-nos quando ouvimos artistas, atores, religiosos como Pe. Fábio de Melo, Pe. Marcelo Rossi, Paula Fernandes, Lady Gaga, Demi Lovato, Lucas Lucco, Gisele Bündchen, Fernanda Lima, Zizzi Possi, Ricardo Boechat, falecido recentemente e tantas outras pessoas, falaram abertamente dessa doença.

 

Mas, afinal, o que é a depressão?

A depressão (CID 10 – F33) é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

É influenciada por uma série de fatores, desde fatores genéticos até acontecimentos traumáticos e consumo de drogas. Geralmente pessoas com esse problema apresentam uma perda de prazer por suas atividades rotineiras, sentimentos de angústia e até mesmo vontade de colocar fim na sua própria vida.

A depressão apresenta sintomas intensos que comprometem a vida do paciente em diferentes esferas, desde a profissional até a pessoal. Diferentemente da tristeza, a depressão necessita de apoio especializado, não acabando por si só como quando vivemos uma situação que nos abala por um curto período de tempo.

Citei anteriormente alguns sintomas da depressão, faltando ainda ressaltar as alterações na capacidade de concentração, raciocínio e memória, sentir medo ou receio, em excesso, de situações que ainda não aconteceram, alterações do sono, tensão muscular, medo de falar em público, medo de lugares fechados ou com grandes aglomerações, inquietações constantes, pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos. O ideal, em casos assim, é buscar ajuda de um psicoterapeuta. O psicólogo irá fazer uma série de perguntas sobre seu estado físico e emocional. Na terapia, você terá a oportunidade de falar mais sobre as situações que lhe causam ansiedade, sem julgamentos. Em alguns casos, o psicólogo pode recomendar que você procure um psiquiatra, que irá receitar uma medicação específica para baixar a ansiedade.

Vale destacar que cada pessoa apresenta sintomas diferentes que podem ou não incluir os citados acima. Entretanto, o que se tem em comum é o fato de que todos os pacientes com depressão apresentam sintomas que afetam consideravelmente sua vida diária, havendo diminuição do rendimento na escola ou no trabalho e danos até mesmo nos relacionamentos pessoais.

É importante frisar ainda que, a depressão afeta uma pessoa de diferentes formas, existindo graus mais leves e mais intensos da doença. Alguns sintomas surgem logo após alguma experiência traumática. Em outros casos, pode ocorrer sem que haja alguma relação com um fato traumático, sendo, por exemplo, desencadeada pelo estresse diário.

 

Ao perceber sinais de depressão faça como o girassol, “partiu em busca do sol – mesmo escondido atrás das nuvens ele gira à sua procura, pois, precisa dele para crescer e florescer”.

 

Caso uma pessoa apresente sintomas semelhantes aos da depressão, é fundamental que se busque ajuda especializada. Existem diversos tratamentos para a doença, tais como psicoterapia e uso de antidepressivos. Entretanto, nem sempre o paciente reconhece que apresenta o problema e cabe às pessoas à sua volta tentar ajudá-lo.

É importante que amigos e parentes evitem comentários que o façam sentir-se inferiorizado e estimulem à procura de apoio médico e psicológico. É muito comum o paciente com depressão ouvir frases que indicam que ele é muito fraco para vencer a doença, que é incapaz e até mesmo que a depressão não passa de desculpa para justificar a preguiça. Entretanto, nada disso é verdade e ajuda apenas a aumentar o problema do depressivo.

O importante é que pessoas próximas ao paciente com depressão tentem mostrar que se importam com ele e com seus problemas, nunca menosprezando o que ele sente. É importante salientar como aquele processo está influenciando sua vida e os prejuízos que estão sendo causados, estimulando-o a procurar ajuda.

Estima-se que 80% das pessoas com depressão apresentem pensamento suicida e cerca de 10% a 15% dos depressivos suicidam-se. Sendo assim, é importante que as pessoas próximas estejam atentas a sinais que possam indicar essa possibilidade.

Não julgue uma pessoa sem conhecer realmente o que se passa em sua vida. Às vezes a causa do sentimento de tristeza pode ser mais complicada da que se imagina!

Setembro amarelo – CVV: Como vai você? Falar é a melhor solução

– Ligue 188

A última palavra aqui quero dedicar ao setembro amarelo, para falar da conscientização e prevenção ao suicídio. O suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde 1(OMS). Um drama que afeta todas as classes sociais e por onde passa deixa entre as vítimas também quem está ao redor do doente. E a cada dez pessoas que se suicidam, nove dão sinais de vão tirar a própria vida, sendo que 96,8% dos casos estão relacionados a transtornos mentais tratados indevidamente ou não tratados de forma alguma.

Por isso, o foco do Setembro Amarelo é a prevenção. Os jovens, faixa etária onde o número de casos mais cresce, e os idosos são os principais alvos da campanha.

Não irei aprofundar a questão aqui, mas apenas abordar o tema no sentido de divulgar a campanha, pois, ao falar de depressão é quase impossível não ter como uma das possibilidades do paciente com depressão, o suicídio. Em outro momento vamos trazer um artigo com esse assunto.

A campanha foi criada em 2015, uma parceria do Centro de Valorização da vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). No último dia 10 deste mês, foi oficialmente comemorado o Dia Mundial de Prevenção ao suicídio com intuito de fazer a sociedade debater o tema, ter conhecimento sobre a questão e alertar a população do ato. Acolha a vida, busque ajuda profissional, pois, 90% dos suicídios podem ser prevenidos. Fica a dica!

 

Referências bibliográficas:

– Tomei como referência os conhecimentos pessoais sobre o tema, a experiência dos doze anos de sacerdote, os atendimentos na clínica, minha biblioteca pessoal, site do Ministério da Saúde e artigos publicados na internet.